Os cientistas estariam brincando de Deus? Independentemente da resposta a essa pergunta, a ciência acaba de dar um passo importante na direção da criação de vida artificial: uma célula controlada por um genoma sintético foi produzida por geneticistas americanos. Tal célula é a primeira espécie
autoreplicável criada por computador. Com o domÃnio dessa técnica, pode-se desenvolver bactérias para solucionar uma infinidade de problemas, dentre os quais pode-se citar os problemas ambientais, energéticos e até mesmo a fome.
A manipulação de genes de animais e plantas já é algo recorrente há décadas, porém a capacidade técnica de criar vida oferece um novo instrumento incrÃvel de poder do homem sobre a natureza. Com essa descoberta, podemos imaginar que a biologia sintética ajudará a produzir novas vacinas, melhores remédios, combustÃveis mais energéticos e menos poluentes, enfim, parece que os únicos limites são a imaginação e a ética.
Tal façanha foi liderada pelo famoso geneticista Craig Venter, o qual fundou um instituto de mesmo nome. Segundo ele, a célula começou a ser feita através da reescrita do genoma de uma bactéria no computador, alterando algumas sequências. Em seguida, o código genético foi montado e inserido em uma bactéria de espécie diferente. Depois de um tempo, o genoma artificial começou a comandar a bactéria hospedeira, transformando-a numa nova espécie de bactéria.
Logicamente demorará muito até conseguirmos projetar formas de vida num notebook, mas um dia isso pode acontecer devido à grande velocidade e à queda nos custos de análise de sequências de DNA e de obtenção de DNA sintético. Ultimamente, bancos de dados contendo genomas de inúmeras espécies, desde virus até os mais altos animais vem crescendo de maneira assustadora. E como a sÃntese de DNA vem se tornando cada vez mais veloz, é de se esperar que logo qualquer um poderá comprar um DNA sintético.
Sem dúvida esse foi um passo importante, tanto cientificamente quanto filosoficamente, já que nos faz repensar sobre a definição de vida. Segundo Steen Rasmussem, da Universidade do Sul da Dinamarca, "... construir vida usando materiais e designs diferentes vai nos ensinar mais sobre sua natureza do que reproduzir formas de vida tais como as conhecemos".

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