“... entendimento do ponto de vista do pensar certo, não é transferido, mas co-participado”. (pág.41)
“ As vezes mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor”. (pág. 47)
“O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”.(pág.96)
“Ensinar exige disponibilidade para o dialogo”. (pág.152)
Os trechos do livro Pedagogia da Autonomia do autor Paulo Freire acima descritos, demonstram que o conhecimento é um produto da atividade e do conhecimento humano marcado pelo meio social e cultural que cada indivíduo vive. O papel do professor é visto como um intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva, sendo que é o modo de agir do professor em sala de aula, que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos. É através da importância da existência de afetividade, confiança, empatia e respeito entre professores e alunos que se desenvolve a leitura, a escrita, a reflexão e a aprendizagem. O educador deve pôr em prática o diálogo, e não colocar-se na posição de detentor do saber, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador de conhecimentos.
Por tanto os ensinamentos de Paulo Freire coincidem com o conteúdo da disciplina, pois o relacionamento entre professor/aluno envolve interesses e intenções, sendo a educação uma das fontes mais importantes do desenvolvimento comportamental e agregação de valores dos indivíduos.
Neste sentido, a interação estabelecida caracteriza-se pela seleção de conteúdos, organização, sistematização didática para facilitar o aprendizado dos alunos e exposição onde o professor demonstrará seus conteúdos.
Desta maneira, o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é uma tarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação. Para que isto possa ser melhor cultivado, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenvolver das atividades.
O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações, mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. Apesar de tal, para que isto ocorra, é necessária a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem, aberto às novas experiências, procurando compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los à auto-realização.
Logo, a relação entre professor e aluno depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, refletir e discutir o nível de compreensão dos alunos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Indica também, que o professor, educador da era industrial com raras exceções, deve buscar educar para as mudanças, para a autonomia, para a liberdade possível numa abordagem global, trabalhando o lado positivo dos alunos e para a formação de um cidadão consciente de seus deveres e de suas responsabilidades sociais.
BIBLIOGRAFIA
Paulo Freire (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.
|